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Prepare-se: calor fora do normal deve atingir todo o Brasil com chegada do El Niño no segundo semestre

Relatório indica transição rápida do fenômeno climático e aumento das temperaturas em todo o país nos próximos meses

Prepare-se: calor fora do normal deve atingir todo o Brasil com chegada do El Niño no segundo semestre
Prepare-se: calor fora do normal deve atingir todo o Brasil com chegada do El Niño no segundo semestre (Foto: Reprodução)

Por Letycia Rocha


O mais recente boletim climático da Administração de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos, divulgado nesta terça-feira, reforça um cenário pouco animador para o Brasil: a formação do fenômeno El Niño no segundo semestre, com impactos significativos, principalmente no aumento das temperaturas.


Segundo o relatório, há uma mudança rápida em curso. O planeta ainda está sob influência do La Niña, mas a tendência é de neutralidade até junho, seguida pela chegada do El Niño já a partir de julho. As chances de ocorrência do fenômeno subiram de 60% para 80% em relação ao mês anterior.


De acordo com o meteorologista Marcelo Seluchi, chefe de operações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, a previsão é de um El Niño ao menos moderado, com possibilidade de ganhar força ao longo dos meses.


“O que já se pode afirmar é que a segunda metade do ano será marcada por calor intenso em todo o país”, explica. Ele ressalta que temperaturas elevadas costumam vir acompanhadas de baixa umidade do ar e aumento no risco de incêndios, especialmente durante o período seco.


Em relação às chuvas, o cenário ainda é incerto. Até junho, a previsão não indica anomalias significativas, com possibilidade de volumes acima da média em áreas do Amazonas. Já no padrão típico de El Niño, a tendência é de mais chuva na região Sul e menos no Norte, enquanto Sudeste e Centro-Oeste permanecem sem definição clara.


Apesar das preocupações, especialistas descartam, por enquanto, a repetição de eventos extremos como a tragédia registrada no Rio Grande do Sul em 2024. “Sempre há risco, mas não há motivo para pânico neste momento”, afirma Seluchi.


O meteorologista também desconsidera teorias que circulam nas redes sociais sobre uma possível influência de uma “bolha fria” no Atlântico na formação de chuvas mais intensas. Segundo ele, o comportamento das precipitações está muito mais ligado às alterações no Oceano Pacífico e à umidade proveniente da Amazônia.


Com o avanço do El Niño, o principal alerta das autoridades climáticas se concentra nos extremos de temperatura, considerados praticamente certos para o segundo semestre.

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